segunda-feira, 27 de outubro de 2014

# Silêncios

" Segue-me,
nem que seja com o teu olhar,
a tua curiosidade já me basta para que perceba
que tu e eu realmente existimos,
neste mundo,
neste tempo,
separados apenas pela incerteza e pela indecisão,
como se se tratasse de um campo de minas
que temos de atravessar estando vendados,
tacteando com os pés,
de braços no ar,
com medo de que o próprio chão nos engula
e nos roube parte do ser.
É a primeira vez que nos vemos,
mas eu amo-te,
desde sempre te amei para dizer a verdade,
e não por um qualquer cliché que dizem os tipos do cinema
“não havia vida antes de ti”,
mas porque sempre esperei por ti
como se fosses o próximo fôlego
que preciso de dar para continuar a viver.
Sim. Amo-te.
Amo-te como se desde sempre te tivesse conhecido
e finalmente, um dia, me tivesse apercebido
de que não poderia nunca viver sem ti,
de que não quereria nunca viver sem ti.
Amo-te porque à noite as estrelas brilham
e porque de dia o céu é azul.
Amo-te e por isso esta noite decidi escrever-te esta carta,
porque precisaria de abrir o peito com as próprias mãos
para te mostrar que há muito que o meu coração
bate o teu nome a cada gota de sangue,
uma e outra e outra vez,
como se te chamasse para que juntes o teu peito ao meu,
para ouvir o teu coração chamar por mim,
numa batida uníssona,
como se existisse não dois,
mas um único coração.
E sim, não te conheço,
mas amo-te,
porque não preciso de te conhecer
para te amar,
basta existirmos os dois."

de Anonymous




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